A Onda 2 da Reforma Tributária em 2026: o momento em que processos passam a ser o maior risco (e a maior oportunidade)

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O ano de 2026 marca uma mudança de eixo na agenda da Reforma Tributária. A maior parte das empresas já superou, ou está finalizando, a Onda 1. Foi o momento de ajustar sistemas, revisar parametrizações, atualizar cadastros, repensar NBS, rever CFOPs e entender os primeiros impactos do IBS e da CBS sobre as operações.

Agora, a partir de 2026, inicia-se um movimento completamente diferente. A discussão deixa de ser puramente sistêmica e passa a ser essencialmente tática. A complexidade não está mais nas tabelas e cadastros. Está nos processos internos que sustentam o dia a dia das empresas. A pergunta deixa de ser “o sistema está parametrizado?” e passa a ser “o nosso processo operacional e tático garante que a parametrização funcione na prática?”.

A experiência da Tax5 Consult acompanhando grupos econômicos de diferentes setores deixa claro que a Onda 2 exige maturidade, organização e disciplina operacional. Não se trata mais de entender a Reforma. Trata-se de fazer a empresa funcionar dentro dela.

Da Onda 1 para a Onda 2: a transição natural, mas subestimada

A Onda 1 trouxe volume, pressão e velocidade. Tributaristas, TI e fiscal foram para o centro das empresas para fazer a lição de casa: configurar, revisar, testar e entregar.

A Onda 2 muda o cenário. O desafio deixa de estar dentro do sistema e passa a estar entre as áreas. O foco agora está em garantir que processos inteiros sejam redesenhados sob a lógica do IBS e da CBS. É o momento em que governança, comunicação interna, fluxo decisório e disciplina operacional passam a ser determinantes para evitar retrabalho, aumento de carga tributária e decisões equivocadas por falta de informações.

É a fase em que a empresa precisa fazer aquilo que o sistema não faz sozinho: fazer as áreas falarem a mesma língua.

A importância do mapeamento de processos

O novo modelo tributário reestrutura a lógica de crédito, de débito, de classificação e de responsabilidades. Muitas empresas parametrizaram o sistema, mas mantiveram processos antigos, pensados para um ambiente tributário diferente.

Mapear o As Is e desenhar o To Be deixa de ser um exercício de consultoria e passa a ser uma necessidade de sobrevivência operacional.

Esse mapeamento deve contemplar:

  • fluxo atual da informação
  • pontos de decisão
  • responsáveis por cada etapa
  • dependências entre áreas
  • exceções e tratamentos específicos
  • regras de tributação atreladas a cada etapa do processo
  • impactos no financeiro e em controles internos

O desenho To Be precisa considerar a nova realidade do IBS e da CBS, conectando legislação, sistemas e operação. Sem isso, a empresa continuará produzindo erros estruturais, ainda que o sistema esteja tecnicamente correto.

Procedimentos, acordos e responsabilidades entre áreas:

Com o novo modelo tributário, decisões fiscais deixam de ser responsabilidade exclusiva do departamento tributário. A CBS e o IBS exigem uma integração profunda com:

  • Fiscal
  • Contábil
  • Financeiro
  • Compras
  • Comercial
  • TI

Empresas que não estruturarem e formalizarem, ainda em 2026, os acordos internos, procedimentos operacionais e responsabilidades entre as áreas envolvidas estarão significativamente mais expostas, a partir de 2027, a riscos de não conformidade, falhas operacionais e impactos relevantes no fluxo de caixa, especialmente em razão da dinâmica de créditos, do split payment e do novo modelo de apuração do IVA-Dual.

Adequação dos processos críticos: onde a dor realmente estará em 2026

Diversos processos serão diretamente impactados e exigirão reestruturação. Entre os principais, destacamos:

  • Compras: A área precisará entender profundamente regras de crédito, regimes específicos, restrições por natureza da operação e a formação de preço dos fornecedores.
  • Apuração: A apuração será reflexo do processo. Se as entradas e saídas não forem tratadas com rigor, as inconsistências aparecerão aqui e já com impacto financeiro.
  • Recolhimento: As novas dinâmicas vão exigir conciliações diferentes, controles novos e alinhamento com tesouraria para evitar distorções no fluxo de caixa.
  • Fechamento: Será necessário integrar contabilidade, fiscal e financeiro para assegurar que o fechamento reflita corretamente os impactos da nova estrutura tributária.

Conexão entre processos táticos e impacto financeiro

A Reforma Tributária deixa de ser um tema exclusivamente fiscal e se torna um tema financeiro. A qualidade da informação tributária passa a afetar:

  • fluxo de caixa
  • precificação
  • margem
  • split payment
  • riscos de inadimplência
  • custo de capital
  • governança e auditoria

Um processo mal estruturado significa:

  • crédito indevido que vira passivo
  • crédito não aproveitado que vira perda
  • débito mal calculado que vira contingência
  • dados imprecisos que afetam tomada de decisão

Não há mais espaço para processos improvisados. A disciplina operacional passa a ser fator de competitividade.

Em 2026, não basta estar parametrizado. Sistemas corretos sem processos integrados continuam gerando erros. O maior risco da empresa na Onda 2 não está no ERP. Está na operação mal alinhada.

Empresas que não avançarem agora para a etapa tática tendem a carregar retrabalho, inconsistências e impactos financeiros que podem distorcer margens, prejudicar preços e comprometer decisões estratégicas.

A Tax5 Consult atua justamente como ponte entre legislação, sistemas e operação. Ajudamos empresas a transitar da revisão técnica para a execução prática, garantindo governança, fluidez e segurança nas rotinas diárias. Essa é a essência da Onda 2.

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Sobre a Autor

Gustavo Prado é Sócio e Diretor Tributário da Tax5 Consult, tendo liderado os principais projetos tributários da empresa. Sua formação é em Direito, com sólidos conhecimentos em tributos indiretos, SPED Fiscal, EFD Contribuições e Reforma Tributária.

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