A Onda 2 da Reforma Tributária em 2026: o momento em que processos passam a ser o maior risco (e a maior oportunidade)
Em 2026, o maior risco da Reforma Tributária deixa de estar apenas nos sistemas e passa aos processos que conectam as áreas da empresa.
Por Gustavo Prado21 de janeiro de 20264 min de leituraO ano de 2026 marca uma mudança de eixo na agenda da Reforma Tributária. A maior parte das empresas já superou, ou está finalizando, a Onda 1. Foi o momento de ajustar sistemas, revisar parametrizações, atualizar cadastros, repensar NBS, rever CFOPs e entender os primeiros impactos do IBS e da CBS sobre as operações.
Agora, a partir de 2026, inicia-se um movimento completamente diferente. A discussão deixa de ser puramente sistêmica e passa a ser essencialmente tática. A complexidade não está mais nas tabelas e cadastros. Está nos processos internos que sustentam o dia a dia das empresas. A pergunta deixa de ser “o sistema está parametrizado?” e passa a ser “o nosso processo operacional e tático garante que a parametrização funcione na prática?”.
A experiência da Tax5 Consult acompanhando grupos econômicos de diferentes setores deixa claro que a Onda 2 exige maturidade, organização e disciplina operacional. Não se trata mais de entender a Reforma. Trata-se de fazer a empresa funcionar dentro dela.
Da Onda 1 para a Onda 2: a transição natural, mas subestimada
A Onda 1 trouxe volume, pressão e velocidade. Tributaristas, TI e fiscal foram para o centro das empresas para fazer a lição de casa: configurar, revisar, testar e entregar.
A Onda 2 muda o cenário. O desafio deixa de estar dentro do sistema e passa a estar entre as áreas. O foco agora está em garantir que processos inteiros sejam redesenhados sob a lógica do IBS e da CBS. É o momento em que governança, comunicação interna, fluxo decisório e disciplina operacional passam a ser determinantes para evitar retrabalho, aumento de carga tributária e decisões equivocadas por falta de informações.
É a fase em que a empresa precisa fazer aquilo que o sistema não faz sozinho: fazer as áreas falarem a mesma língua.
A importância do mapeamento de processos
O novo modelo tributário reestrutura a lógica de crédito, de débito, de classificação e de responsabilidades. Muitas empresas parametrizaram o sistema, mas mantiveram processos antigos, pensados para um ambiente tributário diferente.
Mapear o As Is e desenhar o To Be deixa de ser um exercício de consultoria e passa a ser uma necessidade de sobrevivência operacional.
Esse mapeamento deve contemplar:
- fluxo atual da informação;
- pontos de decisão;
- responsáveis por cada etapa;
- dependências entre áreas;
- exceções e tratamentos específicos;
- regras de tributação atreladas a cada etapa do processo;
- impactos no financeiro e em controles internos.
O desenho To Be precisa considerar a nova realidade do IBS e da CBS, conectando legislação, sistemas e operação. Sem isso, a empresa continuará produzindo erros estruturais, ainda que o sistema esteja tecnicamente correto.
Procedimentos, acordos e responsabilidades entre áreas
Com o novo modelo tributário, decisões fiscais deixam de ser responsabilidade exclusiva do departamento tributário. A CBS e o IBS exigem uma integração profunda com:
- Fiscal;
- Contábil;
- Financeiro;
- Compras;
- Comercial;
- TI.
Empresas que não estruturarem e formalizarem, ainda em 2026, os acordos internos, procedimentos operacionais e responsabilidades entre as áreas envolvidas estarão significativamente mais expostas, a partir de 2027, a riscos de não conformidade, falhas operacionais e impactos relevantes no fluxo de caixa, especialmente em razão da dinâmica de créditos, do split payment e do novo modelo de apuração do IVA-Dual.
Adequação dos processos críticos: onde a dor realmente estará em 2026
Diversos processos serão diretamente impactados e exigirão reestruturação. Entre os principais, destacamos:
- Compras: a área precisará entender profundamente regras de crédito, regimes específicos, restrições por natureza da operação e a formação de preço dos fornecedores.
- Apuração: a apuração será reflexo do processo. Se as entradas e saídas não forem tratadas com rigor, as inconsistências aparecerão aqui e já com impacto financeiro.
- Recolhimento: as novas dinâmicas vão exigir conciliações diferentes, controles novos e alinhamento com tesouraria para evitar distorções no fluxo de caixa.
- Fechamento: será necessário integrar contabilidade, fiscal e financeiro para assegurar que o fechamento reflita corretamente os impactos da nova estrutura tributária.
Conexão entre processos táticos e impacto financeiro
A Reforma Tributária deixa de ser um tema exclusivamente fiscal e se torna um tema financeiro. A qualidade da informação tributária passa a afetar:
- fluxo de caixa;
- precificação;
- margem;
- split payment;
- riscos de inadimplência;
- custo de capital;
- governança e auditoria.
Um processo mal estruturado significa:
- crédito indevido que vira passivo;
- crédito não aproveitado que vira perda;
- débito mal calculado que vira contingência;
- dados imprecisos que afetam tomada de decisão.
Não há mais espaço para processos improvisados. A disciplina operacional passa a ser fator de competitividade.
Em 2026, não basta estar parametrizado. Sistemas corretos sem processos integrados continuam gerando erros. O maior risco da empresa na Onda 2 não está no ERP. Está na operação mal alinhada.
Empresas que não avançarem agora para a etapa tática tendem a carregar retrabalho, inconsistências e impactos financeiros que podem distorcer margens, prejudicar preços e comprometer decisões estratégicas.
A Tax5 Consult atua justamente como ponte entre legislação, sistemas e operação. Ajudamos empresas a transitar da revisão técnica para a execução prática, garantindo governança, fluidez e segurança nas rotinas diárias. Essa é a essência da Onda 2.
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