A REGRA DO JOGO · PLAYBOOK EXECUTIVO 02 / 06

O PLAYBOOK DO CFO.

A Reforma Tributária como decisão financeira de negócio.

Margem · Precificação · Créditos · Liquidez · Capital de giro · Governança financeira

OUTUBRO 2026
ABERTURA
00

O mandato financeiro da Reforma

O CFO precisa transformar a mudança tributária em decisões sobre resultado e capacidade de financiar a operação.

A preparação tributária só passa a ter significado econômico quando seus efeitos são traduzidos em decisões de precificação, margem, crédito, financiamento e investimento. Uma parametrização fiscal correta não garante, isoladamente, um modelo financeiro adequado.

A cobrança efetiva da CBS em 2027 exige que Controladoria, Tesouraria, Comercial, Tax e Suprimentos trabalhem com as mesmas premissas. A tarefa do CFO é transformar a informação dessas áreas em alternativas claras, com critérios de aprovação e acompanhamento.

O que você vai construir

Instrumentos para usar nas rotinas financeiras, e não apenas para consultar.

Mapa de decisões financeiras

Responsável, prazo e evidência para cada escolha material.

Scorecard do CFO

Oito dimensões com avaliação baseada em evidências.

Matriz de exposição

Efeitos por produto, carteira, fornecedor e unidade.

Agenda de 90 dias

Fases práticas para antecipar e validar a operação.

Decisão CFO: trabalhar com premissas verificáveis e distinguir projeções de obrigações efetivamente aprovadas.
PLAYBOOK DO CFO · EDIÇÃO 2026

Índice

Da legislação aos impactos mensuráveis sobre a gestão financeira.

01
Contexto e cenário tributário
05
02
Dimensão: preço, margem, créditos e caixa
09
03
Mobilização: governança financeira
15
04
Decisão: preços, contratos e investimento
19
05
Execução: processos e controles
23
06
Evolução: indicadores e cadeia
26
07
Mapa de decisões financeiras
29
08
Scorecard do CFO
30
09
Agenda de 90 dias
33
10
Fontes e referências
34
MÉTODO
00

Os 5 Ciclos da Reforma

A metodologia Tax5 continua a mesma. O foco agora é sua aplicação às decisões de margem, caixa e investimento.

A execução financeira não deve seguir uma sequência de tarefas desconectadas. O CFO precisa dimensionar os impactos, mobilizar as áreas, aprovar decisões, cobrar evidências de execução e acompanhar a evolução real.

Os cinco ciclos aplicados ao Financeiro

Cada etapa deve produzir evidências capazes de sustentar a próxima.

01 · Dimensão

Medir exposição em margens, créditos, custos e liquidez.

02 · Mobilização

Estabelecer donos e critérios comuns para as premissas.

03 · Decisão

Aprovar preço, caixa, contrato, funding e capital.

04 · Execução

Homologar operações e conciliar o novo fluxo fiscal.

05 · Evolução

Verificar projeção versus realizado e revisar planos.

Decisão CFO: o método é gerencial e não se confunde com as fases legais de implantação ou com as frentes do Supply Move.
CENÁRIO
01

A legislação que muda as contas

A base legal já oferece elementos para estruturar modelos financeiros sem tratar incertezas como fatos.

A EC nº 132/2023 e a LC nº 214/2025 instituíram a estrutura do novo sistema. A LC nº 227/2026 e o Decreto nº 12.955/2026 complementaram pontos de governança e regulamentação. As regras precisam ser traduzidas para cada operação.

Em 2027 começa a cobrança efetiva da CBS e são extintos PIS e Cofins. O IBS opera com alíquota de transição de 0,1%. Um modelo que utilize a carga conjunta estimada do regime pleno como carga uniforme de 2027 compromete a projeção.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Norma vigente

Aplicar por operação, com tratamento e exceções verificados.

Regulamentação complementar

Manter responsáveis pela atualização de premissas.

Operação empresarial

Projetar custos, créditos, preço e caixa de forma integrada.

Decisão CFO: aprovar uma matriz de premissas com fonte, data, responsável e operações abrangidas.
CENÁRIO
01

CBS: o cálculo de 11,3%

O valor aprovado pelo TCU é uma referência técnica e ainda depende da fixação pelo Senado.

Em 28/10/2026, o TCU aprovou o cálculo de 11,3468%, arredondado para 11,3%, para a alíquota de referência da CBS. O valor será encaminhado ao Senado, responsável pela fixação. Não corresponde necessariamente ao percentual efetivo de cada operação.

Em 2027 e 2028 a CBS observa a redução legal de 0,1 ponto percentual. Reduções, regimes específicos, operações sujeitas a alíquota zero e condições de creditamento impedem o uso indiscriminado da referência para todo o portfólio.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

DimensãoO que verificar
11,3468%Cálculo técnico da referência CBS para 2027.
11,3%Valor arredondado, ainda sem fixação definitiva pelo Senado.
0,1 p.p.Redução prevista para a CBS em 2027 e 2028.
Decisão CFO: simular cenários por operação e atualizar o modelo quando o Senado formalizar a referência.
CENÁRIO
01

Premissas com classificação

Projeções financeiras precisam indicar claramente o que é regra, cálculo técnico ou hipótese comercial.

Um cenário pode conter dados legais estabelecidos, cálculos divulgados por órgãos públicos e suposições sobre mercado ou fornecedores. Essas naturezas são diferentes e exigem tratamento e governança distintos.

O CFO deve cobrar a memória de cada premissa. A decisão deixa de ter lastro quando o número sobrevive à atualização normativa sem que se saiba como foi formado.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Regra vigente

Base normativa e data de vigência.

Referência em definição

Origem, evento regulatório pendente e revisão necessária.

Hipótese gerencial

Premissa de volume, repasse, custo e sensibilidade.

Decisão CFO: versionar cenários, atualizar suas fontes e impedir o uso de estimativas como percentuais definitivos.
CENÁRIO
01

Uma transição até 2033

O orçamento de 2027 é apenas o primeiro recorte de um programa plurianual de decisão.

Em 2026, CBS e IBS têm fase de testes; em 2027–2028 a CBS passa à cobrança efetiva com o IBS transitório. De 2029 a 2032 ocorre a substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS. Em 2033, o novo modelo entra em vigência integral.

O percentual de 10% a 40% entre 2029 e 2032 representa a proporção da transição do IBS e a redução correspondente dos tributos substituídos, não uma alíquota efetiva de venda.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

2027

Políticas de preço e caixa alinhadas à CBS efetiva.

2029–2032

Revisão de estruturas e contratos na transição do IBS.

2033

Avaliação de resultado do modelo integral.

Decisão CFO: construir uma projeção plurianual, com atualização regulatória e pontos definidos de revisão de investimentos.
DIMENSÃO
02

A ponte entre tributo e margem

A Reforma altera premissas de formação do resultado, mas o efeito não é uniforme entre empresas.

A margem deve ser simulada considerando preço, custos de aquisição, despesas variáveis, tributação por operação, créditos elegíveis e condições comerciais. A simples aplicação de uma alíquota sobre receita não demonstra impacto econômico líquido.

O CFO precisa enxergar quais linhas ganham ou perdem contribuição em cada cenário e onde a empresa possui capacidade efetiva de ação.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

DimensãoO que verificar
Preço praticadoCondições de contrato, desconto e mercado.
Custo líquidoCompras, despesas e tratamentos fiscais.
CréditosHipóteses verificadas de aproveitamento.
MargemPonte entre base atual, 2027 e sensibilidade.
Decisão CFO: exigir uma demonstração por produto ou cluster com memória de cálculo, em vez de estimativas genéricas.
DIMENSÃO
02

Precificação: preservar qual resultado

Repassar um efeito tributário não é a mesma decisão que preservar margem ou competitividade.

A análise precisa comparar alternativas. Preservar preço pode reduzir a contribuição; preservar margem pode exigir reajuste incompatível com a disposição de compra. Negociar custos ou redesenhar mix pode ser mais adequado em alguns segmentos.

Cada opção deve trazer impacto sobre receita, volume, margem e restrições contratuais. O CFO aprova critérios econômicos, não fórmulas universais de aumento de preço.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Preservar preço

Aceitação de variação de contribuição.

Preservar margem

Teste de preço-alvo e elasticidade.

Ajustar mix ou custos

Combinação de negociação e política comercial.

Decisão CFO: validar, com Comercial e Tax, quais decisões têm consequência financeira material.
DIMENSÃO
02

Exposição escondida no portfólio

A média consolidada pode esconder perdas econômicas relevantes em linhas específicas.

Grandes empresas devem segmentar a análise por natureza da operação, canal, cliente, unidade, região e margem atual. A escolha das dimensões depende do modelo de negócio, não da quantidade de relatórios disponíveis.

Uma carteira aparentemente estável pode conter produtos com maior sensibilidade ao custo efetivo ou à política de crédito. A priorização precisa refletir materialidade.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Receita e margem

Concentração por produto e serviço.

Flexibilidade comercial

Limites contratuais de reajuste.

Risco de volume

Sensibilidade e dependência de clientes.

Exposição por operação

Regra tributária e documentação.

Decisão CFO: priorizar linhas relevantes e produzir um mapa de exposição econômica.
DIMENSÃO
02

Materialidade antes de esforços

O que exige atenção imediata não é necessariamente a tarefa com maior volume.

Para definir prioridades, o CFO precisa combinar valor potencial em risco, probabilidade, horizonte de materialização, custo de mitigação e criticidade operacional. As estimativas devem ser sustentadas por dados reais.

Em ausência de números confiáveis, o correto é registrar a lacuna e sua consequência, e não preencher o plano com valores arbitrários.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

DimensãoO que verificar
ImpactoFaixa estimada sobre margem ou caixa.
UrgênciaPrazo legal, contratual e operacional.
DependênciaFornecedor, sistema ou área crítica.
RespostaIniciativa e responsável por mitigação.
Decisão CFO: aprovar critérios de exposição e um ranking auditável das frentes prioritárias.
DIMENSÃO
02

Créditos: do direito ao caixa

O valor potencial de crédito não representa, automaticamente, caixa disponível.

A LC 214/2025 condiciona o creditamento no regime regular a regras específicas, inclusive documentação fiscal eletrônica idônea e, nas hipóteses legais, extinção dos débitos. Créditos de IBS e CBS devem ser tratados de forma segregada.

O orçamento deve distinguir direito potencial, valor passível de reconhecimento conforme análise e momento de utilização financeira. A metodologia deve ser validada pelas áreas fiscal e contábil.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Crédito potencial

Estimativa por operação e regime.

Validação

Documentos e condições legais.

Efeito financeiro

Prazo e forma de realização quando aplicáveis.

Decisão CFO: conciliar crédito, documentação, apropriação e liquidez sem antecipações infundadas.
DIMENSÃO
02

Compras também formam margem

A cadeia de fornecedores determina parte importante do custo líquido e da consistência documental.

O custo de compra pode ser afetado por tratamentos tributários e pela capacidade dos fornecedores de emitir informações adequadas. O CFO deve conhecer a exposição econômica por parceiro e o efeito potencial sobre a continuidade operacional.

O Supply Move da Tax5 trabalha a prontidão observável e a priorização dos fornecedores. O IPF é um indicador metodológico, não certificação de regularidade.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Relevância econômica

Volume, custo e substituibilidade.

Prontidão observável

Evidências documentais e tributárias.

Ação gerencial

Orientação, correção e acompanhamento.

Decisão CFO: envolver Suprimentos na modelagem dos custos e priorizar fornecedores materiais.
DIMENSÃO
02

Fluxo de caixa da transição

O impacto financeiro pode aparecer em prazos e liquidação antes de surgir no resultado contábil.

É preciso mapear quando acontecem entradas e saídas, como ocorre a realização de créditos e como o modelo afeta conciliações. Prazos reais dependem das normas aplicáveis e das condições operacionais de cada empresa.

Projete cenários com data de corte explícita e indicadores de disponibilidade. Não presuma que todos os contribuintes sofrerão o mesmo efeito no capital de giro.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

DimensãoO que verificar
RecebimentosPrazos e meios de pagamento.
DesembolsosCalendário de obrigações e fornecedores.
CréditosCondições e cadência de aproveitamento.
BufferLiquidez mínima e alternativas de funding.
Decisão CFO: construir fluxo incremental e identificar períodos de eventual necessidade de financiamento.
MOBILIZAÇÃO
03

Capital de giro exige um dono

A transição demanda integração entre o cenário fiscal e a disciplina de Tesouraria.

A projeção precisa incorporar a dinâmica de recebíveis, pagamentos e créditos, distinguindo caixa projetado de resultado por competência. É necessário estabelecer quem valida cada premissa e quem aprova a exposição de liquidez.

A revisão de prazos de fornecedores ou clientes deve ser considerada apenas quando houver fundamento comercial e contratual.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Disponibilidade

Caixa, linha de crédito e buffers.

Horizonte

Visão semanal, mensal e plurianual.

Respostas

Contingência para cenários adversos.

Decisão CFO: definir responsáveis, critérios de revisão e gatilhos de resposta a desvios.
MOBILIZAÇÃO
03

Split payment sem antecipações

Teste técnico não comprova implantação universal do mecanismo de recolhimento.

A Receita Federal anunciou testes de integração da Plataforma Pública do Split Payment iniciados em 15/10/2026, em ambiente controlado, sem processamento definitivo de transações reais.

Para o CFO, a ação prudente é mapear os meios de pagamento e as dependências dos sistemas de conciliação. Só devem entrar na projeção de caixa impactos previstos em normas ou em cenários claramente identificados.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Tesouraria

Mapear fluxos e meios de pagamento.

Fiscal

Acompanhar atos e condições do mecanismo.

Tecnologia

Testar integrações quando disponíveis.

Decisão CFO: tratar impactos futuros como cenários condicionados, e não como fatos já implementados.
MOBILIZAÇÃO
03

Governança financeira compartilhada

Tax, Comercial, Controladoria e Suprimentos precisam responder por partes diferentes da mesma decisão.

Sem proprietários claros, a projeção de margem pode usar hipóteses diferentes das adotadas pelo Comercial, ou o fluxo de caixa pode assumir créditos ainda não validados pelo Fiscal.

A governança é necessária para conectar dados, decisões e aceites operacionais, preservando a responsabilidade técnica de cada área.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

DimensãoO que verificar
TaxTratamento fiscal e fundamento normativo.
ControladoriaResultado, conciliações e fechamento.
TesourariaLiquidez, recebíveis e pagamentos.
ComercialPreço, descontos e volume.
SuprimentosCusto de aquisição e fornecedores.
Decisão CFO: instituir comitê de deliberação com registro de hipóteses, aprovações e pendências.
MOBILIZAÇÃO
03

Um modelo comum de premissas

A perda de controle começa quando cada área trabalha com um cenário diferente.

A empresa deve estabelecer um registro único de premissas financeiras que indique fonte, versão, data, responsável, operação e evento de revisão. As diferenças entre informações legais e projeções comerciais precisam estar identificadas.

Isso permite atualizar a análise quando uma alíquota for fixada ou um novo ato operacional entrar em vigor, sem reconstruir toda a base.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Fonte

Ato oficial, dado interno ou hipótese explícita.

Vigência

Período em que o parâmetro se aplica.

Revisão

Gatilho e responsável por recalcular.

Decisão

Quem aprovou a utilização da premissa.

Decisão CFO: padronizar os cenários usados em orçamento, precificação e acompanhamento do realizado.
DECISÃO
04

Aprovar com critérios econômicos

Nem toda iniciativa de Reforma deve consumir o mesmo capital ou atenção executiva.

O CFO precisa distinguir adequação obrigatória, mitigação de exposição material e iniciativas de aprimoramento. O critério de investimento deve considerar prazo, risco residual, efeito financeiro e condição de implementação.

A execução precisa demonstrar ganho verificável ou redução de risco tecnicamente sustentada, não apenas uma promessa de eficiência.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Prazo aplicável

Urgência legal e operacional.

Exposição

Valor financeiro ou criticidade.

Viabilidade

Capacidade de entregar e testar.

Aceite

Evidência que comprova a conclusão.

Decisão CFO: priorizar orçamento e recursos por risco e resultado esperado.
DECISÃO
04

Precificação como escolha estratégica

O preço para preservar margem nem sempre é viável no mercado.

Compare a manutenção do preço, a recomposição da margem e a reorganização de custos ou mix. A decisão depende da capacidade de repasse, do comportamento do cliente e dos contratos.

O CFO deve modelar como cada opção afeta receita, contribuição e caixa. Recomendações genéricas de reajuste tributário não substituem simulações por operação.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

DimensãoO que verificar
Manter preçoEfeito esperado na contribuição.
Ajustar preçoElasticidade e risco de volume.
Negociar custosPossibilidade real de economia.
Rever mixMargem total da carteira.
Decisão CFO: definir governança de exceções e faixas de aprovação comercial.
DECISÃO
04

Contratos podem travar escolhas

A mudança legal não cria automaticamente um direito de repasse ou reequilíbrio.

Contratos de fornecimento e de venda precisam ser analisados de acordo com sua redação, regras tributárias aplicáveis e vigência. Isso é especialmente importante quando seus efeitos ultrapassam 2027.

As áreas financeira e jurídica devem identificar limites de reajuste, hipóteses de revisão e consequências econômicas de renegociação.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Receita contratada

Capacidade de recompor margens.

Compras

Condições de custo e documentos.

Capex

Aceite, escopo e marcos de implementação.

Longo prazo

Vigência por fases da transição.

Decisão CFO: criar carteira de contratos prioritários com exposição, responsável e prazo.
EXECUÇÃO
05

O ERP não é o fim do projeto

Uma atualização fiscal só é útil quando o processo completo funciona.

A preparação operacional deve alcançar emissão, recebimento, classificação, apropriação de créditos, escrituração, conciliação e integração ao financeiro. A validação exige evidências de testes nas operações relevantes.

Um cálculo correto pode gerar resultado inadequado se a origem do dado estiver errada ou não houver consistência entre os sistemas.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Documentos

Campos e layouts aplicáveis.

ERP e fiscal

Cálculo e parametrização.

Contabilidade

Lançamentos e conciliações.

Tesouraria

Reflexo na liquidação e caixa.

Decisão CFO: estabelecer critérios de homologação e responsáveis pelo aceite financeiro.
EXECUÇÃO
05

Fechamento e reconciliação

A nova informação tributária deve entrar nos controles de resultado e caixa.

O novo fluxo exige reconciliação entre escrituração fiscal, registros contábeis e projeções de Tesouraria. As diferenças precisam ser registradas, justificadas e resolvidas conforme sua materialidade.

A presença de um campo novo no documento fiscal é uma etapa importante, mas insuficiente para afirmar que a operação está financeiramente preparada.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

DimensãoO que verificar
Fiscal × documentosTratamento e registro por operação.
Fiscal × contábilConciliação de débitos e créditos.
Previsto × realizadoPonte de desvio de margem e liquidez.
ExceçõesResponsável e prazo de tratamento.
Decisão CFO: exigir trilha auditável de fechamento e indicadores para exceções.
EXECUÇÃO
05

Supply Move no olhar do CFO

Fornecedores relevantes podem concentrar risco documental e exposição econômica.

O programa Supply Move propõe a evolução da cadeia por evidências, prontidão, exposição, prioridade, ação e acompanhamento. Sua metodologia combina análise tributária e mobilização dos parceiros.

Para o CFO, é necessário traduzir esse acompanhamento em materialidade: volume financeiro, custo líquido, dependência operacional e possibilidade de correção.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

IPF

Prontidão observável, não certificação fiscal.

Exposição

Relevância das compras e criticidade.

Prioridade

Planos focados nas relações mais materiais.

Evolução

Verificação de correções e pendências.

Decisão CFO: integrar Suprimentos e Tax à análise de custo e risco financeiro.
EVOLUÇÃO
06

Indicadores precisam orientar decisões

A diferença entre projetado e realizado é mais relevante do que uma percepção genérica de avanço.

A governança financeira deve acompanhar margem por cluster, liquidez incremental, créditos conciliados, contratos críticos, operações homologadas e fornecedores materiais. As definições devem ter denominador e fonte confiáveis.

Indicadores sem responsável ou mecanismo de resposta não são suficientes para orientar o investimento e o risco da transição.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Margem

Desvio por preço, custo, volume e tributo.

Caixa

Faixa de exposição e buffer disponível.

Créditos

Valor reconciliado e situação de realização.

Prontidão

Fluxos testados e exceções abertas.

Decisão CFO: construir painel financeiro com atualizações regulares e decisões vinculadas a desvios.
EVOLUÇÃO
06

Planejar além da primeira virada

A estrutura de negócios deve suportar a transição até 2033.

A partir de 2029, a progressão legal da participação do IBS na substituição de ICMS e ISS altera gradualmente as condições de operação. Empresas com contratos longos, incentivos relevantes ou operações interestaduais podem precisar revisar estratégias.

Investimentos tecnológicos e políticas comerciais devem ser compatíveis com mais de um período da transição.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

DimensãoO que verificar
2027–2028CBS efetiva e IBS transitório.
2029–2032Substituição proporcional dos tributos.
2033Implantação integral do modelo geral.
Decisão CFO: prever revisões plurianuais com base em atos oficiais e desempenho econômico observado.
EVOLUÇÃO
06

O reporte financeiro ao board

A apresentação deve mostrar o que precisa ser decidido, e não apenas relatar entregas técnicas.

O board precisa entender o resultado sob risco, os cenários de caixa, os investimentos prioritários e as lacunas de implementação. O CFO deve converter essas informações em escolhas e responsabilidades.

Relatórios extensos sem materialidade tornam a Reforma uma pauta de acompanhamento, não de gestão.

Leitura financeira

Elementos que devem entrar no diagnóstico ou na decisão.

Exposição

Valor ou faixa sustentada por dados internos.

Decisões abertas

Alternativas e critério de aprovação.

Liquidez

Cenários e contingências.

Execução

Evidências de aceites e pendências.

Decisão CFO: encerrar cada reunião com decisões registradas e gatilhos de acompanhamento.
FERRAMENTA 01
07

Mapa de decisões financeiras

Complete os campos para organizar a pauta do comitê financeiro. Nenhum dado é enviado ou armazenado.

Preencha impacto, responsável e prazo com informações verificadas. O quadro é um instrumento de trabalho, não um diagnóstico automatizado.

DECISÃOIMPACTO / EVIDÊNCIAPRAZORESPONSÁVEL
Preço e margemCenário e aprovação
Caixa e liquidezProjeção e funding
CréditosDireito e utilização
Cadeia de fornecedoresCusto e exposição
ContratosRevisão e repasse
SistemasAceite e conciliação
Decisão CFO: estabelecer donos para as decisões relevantes e revisar o quadro em cada reunião do comitê.
FERRAMENTA 02
08

Scorecard financeiro: o método

Uma ferramenta interna para acompanhar evidências de preparação, não um índice de conformidade legal.

As oito dimensões recebem pesos editoriais explicitados no próprio formulário. Cada uma deve ser avaliada conforme registros, testes e resultados realmente disponíveis.

Escala de evidências

A nota depende de prova interna e não deve ser utilizada para comparar empresas.

DimensãoO que verificar
Nível 0Não existe evidência apresentada.
Nível 1Mapeamento inicial ou incompleto.
Nível 2Processos parcialmente definidos ou testados.
Nível 3Processo implementado com registro e aceite.
Nível 4Operação monitorada e revisada com evidências.
Decisão CFO: o índice não atesta conformidade tributária nem substitui avaliação profissional.
FERRAMENTA 02
08

Seu scorecard do CFO

O índice ponderado aparece somente quando as oito dimensões forem preenchidas.

ÍNDICE DE EVIDÊNCIAS
—
Preencha todas as dimensões

0 de 8 dimensões avaliadas

DIMENSÃOPESOAVALIAÇÃO
Margem e cenáriosSimulação com impacto por cluster.
18%
Liquidez e fluxo de caixaProjeções e alternativas de funding.
16%
PrecificaçãoPolítica de repasse, descontos e exceções.
15%
CréditosDireito, documentação e conciliação.
14%
Compras e fornecedoresExposição econômica priorizada.
11%
Controles contábeisFechamento e reconciliação.
11%
Contratos e investimentosDecisões com marcos de aprovação.
8%
Integração de dadosFluxos críticos homologados.
7%
Decisão CFO: a pontuação é uma convenção de gestão: avalie os déficits por sua materialidade, não por faixas arbitrárias de aprovação.
FERRAMENTA 02
08

Transforme a nota em ação

Uma pontuação isolada não demonstra ganho financeiro nem evolução operacional.

O scorecard serve para evidenciar frentes com baixa maturidade demonstrada. O CFO deve cruzar cada lacuna com exposição econômica, prazo e capacidade de correção.

Como usar o resultado

Uma rotina de decisão e controle.

Identifique a lacuna

Qual evidência não existe ou é insuficiente?

Dimensione

Qual resultado ou risco econômico pode ser afetado?

Designe

Quem entregará a correção e quem validará?

Reavalie

Qual prazo e condição demonstram avanço?

Decisão CFO: não interprete a nota como certificação, previsão de margem ou indicador validado de mercado.
PLANO DE AÇÃO
09

Agenda financeira de 90 dias

Um roteiro operacional para organizar prioridades, sem substituir qualquer prazo legal.

Primeiro organizar, depois executar e evoluir

A cadência depende da criticidade e das obrigações aplicáveis.

Dias 1–30 · Dimensionar

Validar premissas, segmentar margem, estimar caixa e identificar lacunas de crédito e fornecedores.

Dias 31–60 · Decidir

Aprovar política de preço, plano de liquidez, revisão de contratos e investimentos críticos.

Dias 61–90 · Implementar

Homologar conciliações, acompanhar variações do realizado e corrigir exceções materiais.

As decisões devem ser registradas com responsável, evidência e prazo. O calendário gerencial não deve adiar obrigações cujo vencimento seja anterior a qualquer marco deste roteiro.

Decisão CFO: exigir um reporte que una cenário, decisão, responsável e verificação do resultado.
FONTES
10

Referências e limites de aplicação

Data de corte: 29 de outubro de 2026.

  1. Marcos legais: EC 132, LC 214, LC 227 e Decreto 12.955https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/reforma-tributaria-do-consumo/legislacao/
  2. Receita Federal: cronograma de transiçãohttps://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/reforma-tributaria-do-consumo/entenda
  3. TCU: cálculo de referência da CBS 2027https://sites.tcu.gov.br/reforma-tributaria/visao-cbs-2027.html
  4. TCU: decisão do Plenário em 28/10/2026https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias/tcu-calcula-aliquota-de-referencia-de-113-para-novo-tributo-sobre-consumo
  5. Receita Federal: documentos fiscais da transiçãohttps://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-e-atividades/reforma-tributaria-do-consumo/orientacoes-da-reforma-tributaria
  6. Receita Federal: testes do split paymenthttps://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/comunicado-5
  7. LC 214/2025 atualizada: creditamento (art. 47)https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leicom/2025/leicomplementar-214-16-janeiro-2025-796905-normaatualizada-pl.html

Este playbook apresenta cenários e recomendações gerenciais. A aplicação de regras tributárias, contábeis, financeiras e contratuais depende de análise individualizada, de atos normativos aplicáveis e dos dados da própria empresa.

Os pesos do scorecard, o mapa de decisões e o roteiro de 90 dias são propostas metodológicas da Tax5. Não constituem obrigações legais, índices certificados ou projeções de mercado.